Fundação Casa de Jorge Amado celebra 40 anos como patrimônio vivo
Redação • 30/06/2026 - 14:05

Por Roberto Aguiar | Especial para A TARDE*
No dia 2 de julho de 1986, data maior da independência da Bahia, nascia oficialmente uma instituição destinada a preservar a memória de um dos escritores mais lidos da língua portuguesa. Quarenta anos depois, a Fundação Casa de Jorge Amado tornou-se muito mais do que um espaço dedicado ao autor de Gabriela, cravo e canela, Capitães da areia e Dona Flor e seus dois maridos.
É um centro vivo de cultura, literatura, pesquisa e formação, reconhecido nacional e internacionalmente como uma das principais guardiãs do patrimônio literário brasileiro.
Instalada no emblemático casarão azul do Largo do Pelourinho, que abriu suas portas ao público em 7 de março de 1987, a Fundação tornou-se parte inseparável da paisagem cultural de Salvador.
Milhões de pessoas já cruzaram suas portas ao longo dessas quatro décadas. Leitores, pesquisadores, escritores, artistas, estudantes e turistas de diferentes partes do Brasil e do mundo encontram ali um espaço onde a literatura dialoga com a história, a memória e a vida cotidiana da Bahia.
A própria localização da instituição traduz seu significado. Situada no coração do Centro Histórico de Salvador, cenário que inspirou grande parte da obra de Jorge Amado, a Fundação tornou-se um elo entre a cidade real e a cidade literária construída pelo escritor.
Quem percorre as ruas do Pelourinho encontra, na Casa de Jorge Amado, uma porta de entrada para compreender personagens, lugares, tradições, religiosidade, culinária, música e a diversidade cultural que fizeram da Bahia uma referência universal.
Ao longo desses quarenta anos, a Fundação reuniu e preservou um dos mais importantes acervos literários do país. Manuscritos, correspondências, fotografias, documentos pessoais, primeiras edições, traduções para dezenas de idiomas, obras de arte e objetos ligados à trajetória de Jorge Amado e de Zélia Gattai constituem um patrimônio de valor inestimável para a pesquisa acadêmica e para a preservação da memória cultural brasileira.
Mas a instituição nunca se limitou ao papel de guardiã do passado. Desde sua criação, consolidou-se como um espaço de produção cultural permanente. Exposições, produção de obras literárias pelo seu braço editorial Casa de Palavras, lançamentos de livros, debates, seminários, cursos, apresentações artísticas, atividades educativas e projetos voltados para crianças, jovens e comunidades fazem da Fundação um organismo vivo, conectado com os desafios e as transformações da sociedade contemporânea.